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Ai, que vergonha!


No primeiro dia de aula, o professor, entusiasmado, começa uma dinâmica com a turma com a intenção de mostrar a importância de falarmos de nós mesmos, refletir sobre quem somos e dar à sociedade uma imagem própria sobre a nossa pessoa. A dinâmica consistia em visualizarmos em um pequeno espelho, além de nossa aparência física, o que poderíamos dizer de nós mesmos. Logo, um visível desconforto tomou conta da turma e os olhares se trocavam procurando qualquer reação que parecesse um início. O professor começou… Falou sobre algumas qualidades suas, relação com a família, profissão e outras coisas.

Não gostei da dinâmica. Falar de mim? Não sabia o que dizer… O mais interessante é que eu vivo pensando em mim, em quem sou, no porquê de minhas escolhas e opiniões. Imagino-me conversando com outras pessoas a falar de mim, fazendo-os entender quem sou e o que penso. Contudo, não conseguia imaginar o que dizer àquela tarde; talvez, porque eu tivesse uma visão bem diferente do que deveria dizer. Não queria falar do que faço, das pessoas que tenho ou qualidades que admiro e busco pra mim. Tudo isso já é conhecido, é o que eu quero mostrar ou ser, é apenas o que tenho coragem de dizer e nada mais.

Queria falar de mim. Queria falar sobre aquela que ninguém mais conhece além de mim. Queria fazer conhecida, não aquela imagem refletida no pequeno espelho, mas a mulher que vejo no espelho do meu quarto, a quem dou bom dia e um sorriso sincero; em quem eu confio que vai me fazer muito feliz e realizar todos os meus sonhos! Gostaria de apresentar ao mundo, não a pessoa que quero ser, mas a pessoa que sou e gostaria, ou não, de mudar. Queria falar dos meus erros, das coisas feias e não apenas das belas; queria por pra fora os meus medos e revelar as virtudes que não tenho coragem de expor, por medo de me acharem certinha demais ou coisa assim! (Risos…) Parece tão contraditória a sociedade em que vivemos, onde temos medo de agir certo para não sermos errados!

Bom, mas a realidade é que a dinâmica se seguiu, corajosos falaram do amor por seus familiares e por Deus, alguns arriscaram falar um pouco sobre o que acham que os outros pensam de si. Belos e breves discursos… Apesar de tudo, nada do que eles disseram foi novo pra mim, não houve acréscimo algum nas informações que eu já tinha sobre cada um deles e eu continuo sem conhecer os meus colegas.

Não que eles devessem derramar os seus corações diante de todos naquela sala, não que eu estivesse certa e os outros errados, nada disso, afinal, era só uma dinâmica, dessas que a gente “sofre” ou vive em todo início de semestre. Resolvi escrever sobre isso porque foi um fato que fez diferença pra mim, que me fez refletir a minha ação de ter dito coisas demais, pra pessoas demais e sem demais finalidades se não fosse a minha enorme disposição para pagar micos! (Risos…) Foi isso mesmo! Falei uma porção de coisas desnecessárias e, é provável que além dos muitos olhares desnecessários eu também tenha despertado algumas idéias bem desnecessárias sobre a minha pessoa!

    Bom, o texto ficou grande demais e você não tem mais tempo pra ler isso, não é mesmo? Então é melhor eu encerrar por aqui e deixar o restante com você: é incrível como a maneira de encarar os nossos vexames muda com o tempo, não? Ou a sua maneira ainda não mudou? Acho que eu progredi, já que em minha infância eu guardaria esse evento sob sete chaves, no entanto, hoje estou aqui, te contando em primeira mão apenas “um” dos meus devaneios diários!

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A beleza do perito

      Há poucas coisas tão belas quanto a destreza de um perito em sua arte. A habilidade de um marceneiro, a criatividade de um compositor, a paciência de um professor são características que nos pasmam e nos seduzem às mesmas práticas. É uma pena que sem o dom, tudo fica mais difícil e a prática, então, não é tão bela assim! Mas a gente tenta, se esforça, mexe pra lá, quebra, mexe pra lá, rasga, puxa, estica e… pronto! Aí está a arte de um futuro perito, que muito tem a puxar e a mexer e a esticar até que saia alguma coisa.

      Bom, mas vale a pena o sacrifício e, assim, a cada dia, tentamos ser  o que sonhamos neste palco de incertezas que vivemos: a vida! E o pior, ou melhor, depende da perícia ou peripécia, é que ela nos dá vez! A gente erra, paga, chora, aprende; mas sempre há uma nova oportunidade de errar! É incrível, não? Todos os dias nos deparamos com um novo amanhecer, uma outra chance de nos tornar peritos naquilo que tanto desejamos ser: felizes!

      Mas será que tem graça tal especialidade? Quem é feliz o tempo todo não tem nada pra aprender;

      E uma vida sem gafes não dá motivos pra rir:

      Pra sentir vergonha:

      Ou a carícia de uma lágrima…

      Uma vida sem imprevistos não nos dá emoções;

      Não tem o prazer de um banho de chuva!

      E diminui a chance de um dia de folga!

      Uma vida sem riscos não nos dá a chance de viver um grande amor,

      E uma vida sem amor… não é vida,

é tristeza sem fim…

Cenas da vida

  Quem não gosta de relaxar numa noite chuvosa diante da TV com uma enorme tigela de pipoca nos braços para assistir a um bom filme? Que seja um bem adocicado para aqueles que se deliciam nas belas cenas românticas do cinema, um exemplar hilariante para os que gostam de se entregar às gargalhadas, ou um ótimo suspense para os que adoram sentir aquele friozinho na espinha ao ouvir aquela música fatal! A verdade é que o cinema, seja numa tela grande ou pequena, constitui uma das mais incríveis invenções humanas.

      Mas por que tanto fascínio? Será pela simples possibilidade de reproduzir na tela, imagens de pessoas e coisas reais, ainda que em situações fictícias? Atrevo-me a afirmar que gostamos todos do cinema porque ele não apenas reproduz as nossas vidas, mas também, muitas vezes, representa  os nossos sonhos.

      Como é gostoso ver na tela a casa magnífica que queríamos e nos imaginar no lugar da protagonista do fime a mergulhar em sua enorme piscina azul! Como é esperançoso ver a estória do homem que começa vendendo cachorros-quentes e se torna um importante milionário; ou a vida da mulher que tanto sofre em sua solidão mas encontra um final feliz ao lado do homem perfeito! No fim de tudo somos a criança que assiste com os olhinhos sedentos à vida de super herói que quer ter pra si.

      Fato bastante intrigante é que os sonhos mudam, os medos e conflitos mudam e, com eles, o cinema também muda o seu enredo. As famílias mudaram, os relacionamentos mudaram, as crianças mudaram, o planeta mudou! As crianças tem outros desejos, bem diferentes dos de serem meros super heróis de mentira… E o cinema ganha outro enredo, mais arriscado e sem tantos princípios…

      De repente, olhamos pra tela e não vemos mais o que queremos ser, e sim, o que antes achávamos que precisávamos ter. Vemos na tela o retrato de uma sociedade que desejou “tanto” que não sabe mais o que quer. Olhamos para os personagens de um filme qualquer e demoramos em nos reconhecer dentro das estórias que criamos mas vemos pela primeira vez.

      Talvez, fosse de bastante utilidade rever as cenas, analisar com calma o escrípite que ainda não foi gravado, e pensar se esse é o final que queremos, se este enredo nos leva mesmo a um final feliz. Refletir se essa nova concepção de família produz os mesmos frutos que a de antigamente; se a banalidade sexual é capaz de trazer satisfação ao homem insaciável; se a violência é o melhor instrumento para conseguir o que se quer e se o consumo predatório dos bens naturais trará algum progresso.

      Sei que muitos ao lerem esse texto, pensarão em mim como uma pessoa meramente conservadora, contudo, minha intenção não é a de conservar tradições, mas a de buscar um bem estar que pode sim se encontrar perdido no passado. Por que não? Por que tanto preconceito com o passado? Será o homem incapaz de olhar para trás e consertar os seus erros? Se assim for, lamento por concluir que a raça humana se encontra muito mais atrasada do que pensávamos…

Inquietações

       

      Às vezes fico pensando em como as pessoas conseguem nos reconhecer se a cada dia somos tão diferentes. São tantas as idéias que nos fogem, aparecem, nos transformam e nos renovam todos os dias.

      Melhoramos e pioramos muitas vezes nos mais variados aspectos e detalhes e essa fluência de experiências é que nos constroi a cada instante. Rever os conceitos, consertar os erros, tentar ser melhor… 

      É maravilhoso amadurecer, olhar pra trás e ver que não cometemos mais os meus erros. Descobrir em nossas imperfeições, a beleza do outro e nos deslizes do outro, nossa semelhança. E por falar em semelhança, há muitas coisas que me inquietam sobre a maneira “diferente” com que são tratadas pessoas “iguais”. Contraditório não?! 

      Outro dia, me peguei pensando sobre um artigo que li. O trabalho concluía que havia um atraso bastante considerável no diagnóstico de câncer de mama das usuárias do serviço público de saúde. E pensei que pessoas iguais têm mesmo oportunidades e possibilidades diferentes até mesmo de viver ou de morrer. 

      Essa realidade injusta e desagradável aos olhos é que nos faz crescer, lutar para sermos melhores do que somos  e tentar tornar iguais as nossas oportunidades, já que por trás das finanças, vestes, e vocabulários, temos os mesmos sonhos e anseios; sonhos de viver, sonhos de paz, de sermos reconhecidos não pelo que esperam que de nós, mas pelo que somos.

      Por isso, é tão importante acordarmos todos dias e percebermos nossas diferenças, nosso progresso ou involução. Pensarmos nossas escolhas e suas consequências para que a cada dia, ao abrirmos os olhos, possamos ver um mundo mais belo e mais justo, onde a vida seja muito mais preciosa que um mero valor monetário.

 

Distorção

      São muitas as formas de discriminação sofrida pela terceira idade. É surpreendente pensar que,  uma classe que já foi tão valorizada e respeitada, hoje sofre tanto descaso. Ainda há algumas culturas que valorizam as pessoas idosas, como a cultura japonesa, por exemplo, no entanto, na grande maioria das sociedades o idoso sofre muito preconceito.

 O tempo passa

seca-se a flor

e a imagem se desfaz.

Não é mais visto como flor,

é “inútil e sem beleza”;

fenômeno comum da natureza

que é, por muitos, desprezado.

Não bastasse à flor inútil

os limites naturais,

a flor experiente

ainda tem que suportar

as críticas sociais:

É o velho, ultrapassado

que não serve mais.

Para ser do outro…

É incrível como nos perdemos em tantas distrações… Trabalho, cursos e compromissos sem fim nos roubam o tempo sem que notemos e fazem de nossas vidas uma rotina constante. Família, amigos e romances também tomam bastante o nosso tempo e apesar de gostosos de sentir eles roubam também um pouco de nós. E isso é bom! Afinal, somos para sermos pra o outro e termos do outro um ser pra nós!

Mas a gente sente falta também da gente; de chegar sem pressa e não ter que sair, largar os sapatos sem se preocupar com a bagunça da casa, se atirar na cama sem ter hora pra acordar e sonhar consigo mesmo num paraíso!

Então o sonho é mais que o que se tem e a vida é gostosa como ela é! Os relógios não tocam, não há batidas na porta e os telefones não  chamam! Se ouve apenas a sua música e os barulhos do trânsito ficaram pra trás.

É possível agora, rocolhido em seu mundo, tomar um banho pra si mesmo, banho de chuveiro, banho de mar, banho de lua… banho de alma! Sentir o próprio cheiro e a própria pele. Gostar de si mesmo, amar-se com coragem de ser o que é. Vestir-se pra os próprios olhos e diante do espelho sorrir com prazer de simplesmente ser, simplesmente estar e viver esse dia! Ter tempo pra se descobrir e se provar, escolher o caminho que se quer seguir; sentir o próprio gosto, ouvir a própria voz.

 Afinal, pra ser do outro é preciso primeiramente ser seu; saber o que se quer e o que se tem. Conhecer o prazer da própria companhia e compartilhar com os outros um alguém sem medo, que não precisa de aprovação, mas recebe aplausos, não precisa ser perfeito mas é,  não precisa de olhares, mas existe, não precisa acertar, mas sempre acerta, não porque não erra, mas porque está certo de que é exatamente o que sempre quis ser.

Dores…

   Desde muito tempo o homem vem tentando vencer a dor. Analgésicos potentes foram descobertos, terapias foram experimentadas e muitos empenhos trouxeram a humanidade para um tempo em que grande parte de suas dores pode ser aliviada.
   Há dores, no entanto, que não são controladas facilmente com remédios e terapias. As dores emocionais, psíquicas, chegam a torturar, muitas vezes, pessoas que não estão em hospitais ou sob ação de medicamentos; e sem saber lidar com esse fenômeno, trancam-se em seus mundos, escondem-se sob suas máscaras de alegria, sucesso e perfeição. As dores passam a fazer parte do seu cotidiano, como sintoma de doentes crônicos que não têm esperança de cura e convivem com isso dia após dia.
   Algumas pessoas conseguem suportar melhor as quedas e depois de um tempo, estão de pé novamente. Outras, se entregam a sua fraqueza e vivem dias à espera de auxílio. Apesar de muitas vezes trazer tristeza, a dor faz, daqueles que a superam, vencedores. Ao fim da tempestade, as nuvens se esvaem, o sol brilha mais forte e lhes mostra que são muito mais capazes do que pensávam ser, que possuem riquezas que não reconheciam e amores que não sabiam.
   Ao fim de tudo, a dor os deixa debilitados, aparência mórbida e cansada, mas dentro de si, uma enorme vontade de viver. É preciso aprender a valorizar a dor, a perder com dignidade e sensatez e tirar do sofrimento coragem para viver. É preciso aprender que a vida vale muito mais do que aparenta, com todas as suas alegrias e os seus dissabores; e aprender que os sorrisos não são recompensas para sofredores, mas sim, as armas dos vencedores!